domingo, 26 de agosto de 2012

RITOS 1

01- TEMA
Rituais de Passagem, Celebrativos e litúrgicos.
02- SÉRIE
5ª série - 10 anos
03- ALUNA:
Sonia Mara Stockchneider
soniastockchneider@pop.com.br
04-OBJETIVO
Identificar momentos significativos da vida do aluno procurando confrontar
com festas que marcam momentos novos na vida da pessoa e que são organizados
pela sociedade.
05- FUNDAMENTAÇÃO PEDAGÓGICA
O desenvolvimento físico e o processo de maturação pelo qual passa a
criança não estão únicos e exclusivamente associados a fatores genéticos, mas
também a questões relacionadas ao ambiente e a uma alimentação adequada.
Identificar a interferência desses fatores evita que a criança desenvolva um
sentimento de baixa-estima em relação ao seu corpo que por conseqüente refletirá
na sua interação com o meio.
Neste período a criança canaliza as suas energias em atividades escolares e
sociais em razão da fase de latência em que se encontra a sua sexualidade, por
esse motivo sente a necessidade de se auto-afirmar como cidadão capaz dentro de
seu grupo sendo a escola fundamental nesse processo.
Vigotsky enfatiza o papel da linguagem e da aprendizagem, sendo foco a
aquisição do conhecimento pela interação da criança com o meio.Para ele a
linguagem é a principal mediadora entre a criança e o objeto de conhecimento.
O principio da autonomia segundo Piaget começa a se desenvolver junto ao
da autoconsciência permitindo a criança estabelecer relações cooperativas que a
fazem deixar de lado o seu egocentrismo.Com relação ao desenvolvimento de sua
criatividade e percepção visual ela adquire autocrítica e consciência do seu
ambiente natural preocupando-se com proporções e profundidade, já o seu
pensamento passa a ser mais raciocínio do que percepção também nesta fase
começa a se identificar com as historias e crenças pertencentes a sua comunidade.
A idéia que a criança faz de Deus, a maneira como percebe a religião e como
desenvolve a consciência moral, está condicionada pelas deferentes formas de
pensar e sentir presente nas varias etapas de seu crescimento, seja pela influencia
da família, dos adultos que lhe são significativos ou da comunidade a qual está
inserida.
O artigo 32 da LDB 9394/96 coloca como objetivo a formação básica do
cidadão, ou seja, a escola deve formar cidadãos capazes de responder aos
problemas que surgirem no decorrer de suas vidas sejam eles de ordem pessoal,
interpessoal, social ou profissional, comprometidos com o seu crescimento e com a
construção de uma sociedade melhor para que nela possam viver.
Sendo a educação o instrumento necessário para que a humanidade progrida
rumo a um ideal de paz, liberdade, equidade e justiça social.
Cabe ao professor criar as condições necessárias para que o aluno possa
construir sua identidade e perceber-se como cidadão conhecendo sua realidade,
seus direitos e deveres, compreendendo que o mundo está em constante
transformação resultado de movimentos históricos de culturas diferentes onde cada
pessoa ou cada grupo delas tem suas histórias, suas tradições, suas crenças e um
modo diferente de pensar e agir. E a partir daí será capaz de ajudar a resolver
conflitos por meio de soluções inteligentes e pacíficas que promovam valores
atitudes e condutas que respeitem o pluralismo e a diversidade cultural presentes na
sociedade em que vive.
Portanto não podemos mais conceber a escola como mera transmissora de
conhecimento, mas sim como um espaço de reflexão critica da realidade.
Com o projeto Rituais de Passagem Celebrativos e Litúrgicos o aluno irá
descobrir, a partir do espaço em que vive e do seu dia a dia com a família bem
como no convívio com os amigos que ele também desempenha um papel
fundamental na construção da história do seu tempo, compreendendo também que
toda ação individual ou coletiva seja ela contra os valores humanos ou contra a
natureza irá refletir nele mesmo e na sociedade, e ainda reconhecer a importância
dos rituais na vida das pessoas.
06- PLANO DE TRABALHO
1ª AULA
Para a 1ª aula os alunos deverão trazer fotos de momentos especiais
comemorados junto à família.
Fazer um relato oral do que simboliza estes momentos para ele e para sua
família e onde e como são organizados.
Montar um painel com os momentos significativos na vida dos alunos.
2ª AULA
Propor um momento de conversa onde cada aluno tenha oportunidade de
falar sobre a sua opção religiosa.
Pesquisar dentro da sua opção religiosa quais são as principais festas e o
que elas representam na sociedade.
Apresentar o resultado da pesquisa confrontando os momentos significativos
em sua vida com aqueles que foram organizados pela sociedade.
3ªAULA
Pedir aos alunos que procurem no dicionário o significado das palavras:
rituais, passagem, celebrativos e litúrgicos fazendo ligação com as aulas anteriores
por meio de um texto escrito.
Trazer para a sala de aula textos que descrevem os principais rituais da
cultura indígena: ritual de nominação. ritual da puberdade e ritual funerário.
Relacionar com a sua cultura.
4ªAULA
Realizar uma pesquisa sobre os índios Karajas buscando as seguintes
informações: suas características, que língua falam, em que local do Brasil vivem, os
rituais mais significativos dentro de sua cultura, aspectos positivos e negativos no
contato com outras culturas, o papel do homem e da mulher, arte, alimentação e
fatos da atualidade.
Em grupo coletar todo material possível a fim de organizar uma exposição
comparativa entre a sua cultura e a cultura dos índios Karajas.
5ªAULA
Assistir a um vídeo: 500 anos de Resistência produzido pela TV Cultura.
Realizar uma reflexão critica da ação do homem não só na cultura indígena,
mas em seu próprio meio.
AVALIAÇÃO:
Será observado se o aluno:
-trouxe as fotos solicitadas;
- demonstrou interesse pelo tema.
-expressou suas idéias com clareza e objetividade;
-realizou as pesquisas;
- identificou as diferenças e semelhanças entre as festas de tradição cultural e
as de tradição religiosa;
-fez uso correto do dicionário;
- compreendeu a proposta do texto escrito;
- foi capaz de uma reflexão critica da realidade;
CONTEÚDO: Rituais de Passagem Celebrativos e Litúrgicos
Os ritos são ações que realizamos e que tem um sentido simbólico.Por
exemplo: para comemorar o aniversário de alguém, podemos marcar um almoço,
reunir a família sendo que com esse gesto estaremos demonstrando o quanto
àquela pessoa é importante para nós e a alegria que sentimos por vê-la completar
mais um ano de vida. E a refeição representa tudo isso, ou seja, tem esse sentido
simbólico.
Os ritos de passagem, marcam a passagem de uma pessoa ou de um grupo
de pessoas de uma posição a outra dentro da sociedade.Por exemplo, a passagem
de criança a adulto ou ainda a passagem do mundo real ao mundo espiritual, no
caso quando uma pessoa morre. Presentes em todas as sociedades humanas isso
porque em todas elas as pessoas nascem, crescem ficam adultas e morrem, um
processo natural que envolve festas e cerimônias religiosas com significado especial
em cada cultura.
RECURSOS DIDÁTICOS
-fotografias
-pesquisa Internet
-dicionário
- vídeo: 500 anos de resistência produzido pela TV Cultura
-textos da internet
REFERENCIAS:
ZABALA, Antoni.
Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo: Uma
proposta para o currículo escolar. Porto Alegre, São Paulo, 2002.
Revista Ciência Hoje das Crianças. Ritos de Passagem: O que vamos
celebrar? Nº 163, novembro de 2005. 2ª edição.
INTRODUÇÃO: RITOS DE PASSAGEM
Em 1909, o etnólogo francês Arnold van Gennep escreveu em seu livro, "
Les
Rites de Passage
", que as sociedades indígenas são como uma casa, dividida em
vários quartos e corredores. Pessoas e grupos circulam por esses quartos, que são
isolados uns dos outros. Para se passar de um quarto para outro, são necessárias
certas formalidades e cerimônias. Essa comparação da sociedade com uma casa,
ajuda a entender a função dos "Ritos de Passagem".
Os ritos de passagem são cerimoniais que marcam a passagem de um
indivíduo (ou de um grupo) de uma situação para outra.
Por exemplo: os rituais ligados ao nascimento, onde um índio que não era
nascido, portanto não estava neste mundo, passa a existir e fazer parte de um
grupo. Há ainda os ritos de iniciação, onde um índio pré-adolescente aprende os
comportamentos necessários para que seja considerado um adulto dentro da tribo.
Também são "ritos de passagem", as cerimônias matrimoniais, onde há uma radical
mudança nas responsabilidades de um indivíduo. Por fim, os ritos funerários, que
marcam a passagem da pessoa de um mundo para outro.
Esse boletim fala de alguns ritos de passagem de grupos indígenas do Brasil.
Ritual de Nominação
Batismo dos índios Urubu-Kaapor
Os índios Urubu-Kaapor vivem no Maranhão, entre os rios Gurupi e Turiaçu,
próximos à fronteira com o estado do Pará. Sua população aproximada é de 800
pessoas.
Quando nasce uma criança Kaapor, seus pais devem cumprir um rigoroso
resguardo e dieta. É um período longo que dura vários meses. Os índios acreditam
que a saúde do bebê pode ser comprometida, se os pais quebram essas regras.
Quando o bebê completa aproximadamente um ano é preparada uma festa
de nominação. Esse é o ritual mais importante dos índios Urubu-Kaapor. É uma
cerimônia coletiva, onde podem ser batizadas diversas crianças juntas. Até essa
data, os bebês não são chamados por nome algum.
Para a festa, é preparada uma grande quantidade de uma bebida alcoólica
feita a partir do caju. Todos os adultos e crianças mais velhas começam a beber no
início da noite e continuam até a aurora. Ao amanhecer, enquanto os homens
fumam longos cigarros, as mães das crianças sentam-se em esteiras, carregando
seus bebês em tipóias emplumadas e tecidas com algodão.
A arte plumária dos Urubu-Kaapor é a mais bela e sofisticada entre os índios
brasileiros. Todos se adornam com suas melhores peças, pois acreditam que elas
ajudam a iluminar as nuvens escuras, talvez uma analogia ao destino das crianças.
Os padrinhos das crianças usam um colar-apito, feito com um osso de gavião.
O padrinho toma o bebê do colo da mãe, e o levanta para o alto. O padrinho grita o
nome que escolheu para a criança e em seguida todos os índios repetem esse nome
em coro. O padrinho dança para frente e para trás, com a criança em seus braços e
assopra o colar-apito no ouvido do bebê, que começa a chorar.
O nome da criança é repetido por todos até que ela pare de chorar e
adormeça. Nessa ocasião, ela recebe um pequeno cocar, e o padrinho devolve o
bebê para sua mãe. Foi anunciado ao mundo, que um novo Kaapor nasceu.
Colar-Apito "awá tukaniwar" - índios Urubu-Kaapor
Ritos de Puberdade
Passagem para a Vida Adulta
Os ritos de passagem se desenvolvem através de três fases: a separação, a
transição e a incorporação.
Nos ritos de puberdade, onde o índio deixa de ser considerado uma "criança"
por seu grupo, e passa a ser visto como um adulto é possível observar essas três
fases de forma mais clara. A criança é retirada da vida normal da aldeia, passa por
um período em que aprende o comportamento adulto, e por fim volta à aldeia, agora
com um novo status.
Nesses ritos de passagem, a criança é separada do convívio social com a
aldeia, quando atinge determinada idade. Esse momento é considerado a primeira
fase do rito. A idade em que a criança é "retirada" da sociedade varia conforme as
diversas etnias.
No caso das meninas, na maioria das vezes essa fase acontece na época da
primeira menstruação. As índias Tikuna; que vivem na fronteira entre Brasil, Peru e
Colômbia; quando percebem a primeira menstruação, entram na mata, não sem
antes deixarem um adorno marcando o local onde se esconderam. De lá passam a
bater dois pedaços de madeira, um contra o outro, até que suas mães percebam o
que está acontecendo e vão ao encontro de suas filhas, para levá-las para casa
onde passarão longas semanas até que saiam de lá novamente.
Para os homens, não há uma idade tão clara. Por exemplo: os índios
Xavante, que vivem no cerrado do Mato Grosso, realizam seus ritos de puberdade
uma vez a cada cinco anos. Os meninos saem da casa de seus pais e passam a
viver todos juntos em uma casa comunitária por todo esse tempo, até serem
considerados adultos. Portanto no início da reclusão há desde meninos de 7 a 8
anos, que estarão muito velhos para esperarem o próximo ritual; até adolescentes
de 12 a 13 anos, considerados muito novos no início do ritual anterior. Entre os
índios Apinajé, do norte do Tocantins, a separação é feita quando o índio atinge 15
anos, mais ou menos. Já entre os Tupinambás, que habitavam a costa do Brasil na
época em que os europeus chegaram aqui, os rituais aconteciam quando o índio
contava mais ou menos com 25 anos.
A segunda fase dos ritos de passagem, chamada "transição", corresponde ao
período em que o adolescente permanece afastado da sociedade aprendendo com
os mais velhos, o comportamento adequado aos adultos de seu grupo. Entre as
meninas das etnias do Alto Xingu - Mato Grosso - por exemplo, esse período é
próximo a um ano. A menina não sai de um compartimento separado da casa, longe
das vistas dos outros. As meninas Tikuna permanecem "escondidas" em suas casas
por três meses, mas na maior parte do tempo em silêncio. Normalmente, para todos
os grupos indígenas, essa fase é cercada por cuidados especiais e tabus
alimentares. Acredita-se que as meninas encontram-se fragilizadas e expostas a
ataques de espíritos maus.
Entre os homens esse período de transição é muito variado. Como já dito, ele
dura até cinco anos para os Xavantes. Já entre os índios Karajá, que habitam as
margens do rio Araguaia, os preparativos para a festa de puberdade masculina
duram cinco meses. Em todos os casos, durante esse período, os homens
aprendem os ritos de sua comunidade, as responsabilidades para com suas futuras
famílias, as atividades de caça, pesca e da guerra.
Por fim, terminado esse aprendizado da fase de transição, há um ritual de
incorporação. O menino ou a menina já é considerado apto a assumirem o papel de
adultos. Eles são recebidos de volta à sociedade, mas agora é como se entrassem
num outro "quarto da casa", seguindo a analogia de van Gennep.
O ritual de incorporação é geralmente bastante festivo, mas cada etnia tem
sua própria forma de comemorar. Em alguns desses ritos, os "novos" adultos são
obrigados a passar por momentos de dor.
Os índios Sateré-Mawé - que habitam a região entre os rios Madeira e
Tapajós, na floresta amazônica - preparam uma luva cheia de grandes formigas
chamadas tocandiras. Os jovens Sateré-Mawé vestem essas luvas e são picados
pelas formigas, mas não podem demonstrar dor, ou serão considerados homens
fracos.
Luva onde são colocadas formigas, dos índios Sateré-Mawé
Já as índias Tikuna são recebidas com uma grande festa, chamada "Festa da
Moça Nova", onde homens vestidos com fantasias representando diversos espíritos
da floresta dançam e cantam por dias a fio. Ao fim da festa, porém, as mulheres
mais velhas arrancam os cabelos das mais novas.
Máscara da "Festa da Moça Nova", feita pelos índios Tikuna
Ritos Funerários
A morte é encarada, na maioria das sociedades, como uma passagem desse
mundo para um outro. Diversos grupos indígenas realizam elaborados ritos
funerários, que além de cultuar o espírito do morto, servem como celebração da
identidade do povo.
Os índios do Alto Xingu realizam, uma vez por ano, uma grande festa a que
chamam Kuarup. Na festa, os índios relembram a lenda do primeiro herói que
caminhou pela terra, Mavutsinin, que reviveu os mortos a partir de troncos de
árvores. No Kuarup, além de chorar os mortos, os índios reúnem várias aldeias e
realizam uma grande festa onde ocorrem disputas esportivas.
Para os índios Bororo, dos cerrados do Mato Grosso, os ritos funerários são
os mais importantes de sua cultura. Os funerais duram meses, e durante esse tempo
são realizados outros ritos de passagem, como a puberdade dos meninos. Os
Bororos consideram que o mundo torna-se incompleto com a morte de uma pessoa
e precisa ser "recriado" quando isso ocorre. É isso que acontece em seus funerais.
Os índios Kaingang, do sul do Brasil, também realizam uma complexa
homenagem aos mortos recentes, que ocorre anualmente entre abril e junho: a festa
do Kikikoi. São três noites - não seguidas - de festa. Após as homenagens aos
mortos, os índios dançam por toda a noite, embalados por Kiki, uma bebida
fermentada feita com água, mel e açúcar.
Um dos mais complexos ritos funerários, que hoje deixou de ser realizado, é o
que era feito pelos índios Wari (também chamados Pakaa-Novas), de Rondônia.
Eles comiam os próprios mortos. Além disso, queimavam os cabelos e órgãos
internos do morto, e mudavam o aspecto da casa onde ele vivia e dos lugares onde
costumava ir. A explicação que davam para isso, é que o espírito sentia saudades
desse mundo, e, portanto os vivos tratavam de cortar todas as lembranças que
pudessem fazer com que o espírito desejasse voltar a terra, inclusive seu próprio
corpo. Logo após o contato com os não-índios, na década de 60, os Wari
abandonaram esse costume e hoje em dia enterram seus mortos. Mas os índios
mais velhos consideram o enterro como uma falta de respeito
  SolBatt agradece sua visita!